Envelheci!

Não tem mais como negar. Envelheci. Um caminho sem volta, adeus juventude de uns dias atrás! Falo isso sem nem avaliar os 30 mil fios de cabelo branco que povoam a minha cabeça, nem pela triste lentidão do metabolismo que me nega qualquer emagrecimento despercebido e ignorando solenemente todo o meu arsenal de cremes anti idade que habitam essa casa.

A minha conclusão definitiva veio mesmo na sala de cinema, domingo passado. Como eu moro em SP, terra onde também faz calor mas não tem praia, decidi passar meu domingo de sol no ar condicionado: cinema + peça de teatro. Tipo de programa que adoro, que já me diverte antes mesmo de sair de casa.

O filme era ‘Gravidade‘, sabe? Aquele com a Sandra Bullock? Pois é, que já entrou até no ranking das 100 maiores bilheterias de todos os tempos nos Estados Unidos, tinha uma sessão abarrotada, mesmo sendo 14h. Resumindo: filme 3D, blockbuster, domingo, em um cinema de shopping, lotado, sentando na última (sem hipérbole, última mesmo!) fileira da sala… não tinha como dar certo!

No nano segundo que entrei na sala, ainda procurando a minha cadeira, eu me arrependi. Uma gritaria, mil adolescentes, pipoca, corre corre… respirei fundo. Sentei e pedi a Deus que me desse paciência e tolerância.

Na primeiríssima legenda que apareceu na tela o vizinho de cadeira GRITOU ‘mas não é dublado? eu achei que era dublado! eu não vou enxergar daqui, tá longe, não exergo!’ e a família (sim, família) respondia ‘eu falei que não era dublado!‘ ou ainda ‘quer mudar de cadeira? ih, mas não vai ter pra onde mudar, tá lotadasso’. Nesse momento a minha vontade de assassinar o vizinho e a família já era maior que a vontade de assistir ao filme. Mas me controlei porque no fundo, no fundo, eu sou boa gente. Mudei para uma cadeira do lado – sim, na última fileira sempre sobra uma cadeira ou outra – e pedi mais ajuda espiritual.

Durante todo o filme eles foram insuportáveis! Comentavam alto, reclamavam, comiam pipoca como se fosse pedra, abriram mil embalagens, papéis, luz de celular, mensagem de texto… como se fosse a sala da casa deles. E foi aí eu concluí: tô velha. Velhice ranzinza que se apossa do corpo e da alma de alguns mortais. Fui escolhida: cinema de  shopping lotado no domingo nunca mais.

Eu juro que queria ser mais tolerante e conseguir abstrair, me divertir e até, quem sabe, comentar o filme junto com a família bizarra (hahaha ok, exagerei!). Mas, de verdade, eu não consigo. Fico puta, me sinto totalmente sacaneada. Eu paguei por um ingresso de cinema, eu tenho tanto direito quanto eles e, pelo menos na nossa sociedade, o combinado é que no cinema a gente cala a boca.

Outra coisa que me tira do sério é perfume forte! Caros amiguinhos, quando vocês forem ao cinema ou ao teatro ou viajar de avião/ônibus/trem lembre-se que as cadeiras são muito perto umas das outras, ou seja, haverá um grau de intimidade incoveniente com um completo desconhecido. Sendo assim, tome banho e vá cheirosinho ao invés de pular dentro de um vidro de perfume francês e fazer aloka do cheiro forte. Empestiando o ambiente!

Pra terminar, eu confesso que sempre fico em dúvida dos limites dos lugares públicos. Tipo, até onde você está no seu direito e quando é que você passa a incomodar os outros… acho um assunto meio delicado. E, em geral, sou até uma pessoa bem feliz com os espaços comuns! Sou super educada no trânsito e peço desculpa mesmo quando tô certa, sou super defensora do direitos dos pedestres, nunca sento nos lugares reservados do ônibus, nem dou bolsada nos outros pra sair do metrô – hábito comum em SP. Enfim, eu tento muito respeitar as pessoas e as necessidades.

Mas cinema e show.. me tiram do sério!

PS.: Apesar de tudo, Gravidade é um filme bem legal. Hollywood no seu melhor estilo e eu AMO Sandra Bullock!

PS.2: A peça que fui ver é a nova do Felipe Hirsch – Puzzle. Ela é dividida em 3 partes, vi a primeira na quinta e a terceira no domingo. Ainda falta a segunda (sim, queria ter visto na ordem mas não rolou!).

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