Tuesday Top Five: Os Figurinos Melhores Do Que ‘O Grande Gatsby’

[post do pivo! <3 ]

Eu tenho obsessão pelo Oscar. Seria a primeira coisa que eu diria se existisse um grupo de ajuda para os portadores da mesma obsessão. Odeio isso em mim, acho que tem muito tanque de roupa suja mais útil e mais interessante, m revolto por ele premiarem uma porrada de filmes ruins, mas não tem jeito: todo ano eu fico mais empolgado nesse dia do que no Carnaval ou na Páscoa ou no Natal ou no Réveillon.

Como o assunto aqui é moda, resolvi contar pro Mingau quais seriam as minhas escolhas em Melhor Figurino se uma humilde cédula de votação eu tivesse. Na quinta de manhã ( o/ ) a gente compara os resultados, mesmo que pra descobrir o de sempre: que preguiiiiiiiiiça das escolhas oficiais.

Em 5º – 12 Anos de Escravidão

Figurino século XIX dá muita preguiça, eu sei. Culpa talvez das novelas brasileiras, que abusaram da época, dos turbantes das mucamas e das anáguas das sinhás. O filme de Steve McQueen é ótimo em vários níveis, inclusive neste: traz uma visão tão fresca de um tema tão desgastado que a gente até esquece que tem doutorado moral no assunto.

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Patricia Norris é uma lenda entre os figurinistas: 82 anos de idade, 5 indicações ao Oscar no currículo e a incrível capacidade de pegar um tema batido e fazer um trabalho com cara de inédito. O universo rural de 12 Anos de Escravidão apresentava dois grandes desafios: individualizar os escravos sem perder a ideia de uniformidade entre eles e colocar os patrões num outro registro sem tirar os pés da realidade da plantation.

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Assim, por exemplo, o caráter romântico de Solomon, o protagonista, fez com que Norris escolhesse para ele mangas compridas e arejadas, que não aparecem nos demais escravos. Por outro lado, a elegância de Mistress Epps, a senhora do engenho, tinha que contrastar com as peças bem mais simplórias das escravas, mas sem o mesmo nível de requinte das senhoras das cidades.

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Em 4º – American Hustle

Por outro lado, os anos 1970 são uma época que eu amo assistir e não acho que já tenha sido excessivamente retratada. Fora isso, os atores e atrizes de American Hustle estão num registro tão divertido e tão sexy aqui que dá vontade de chamá-los depois do filme pra fazer um piquenique seguido de orgia.

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Michael Wilkinson já tinha feito uma dúzia de figurinos em filmes grandes e péssimos, que não traziam grandes desafios se comparados ao de vestir grandes estrelas de uma forma ao mesmo tempo cafona e muito atraente. Segundo Christian Bale, o protagonista, os anos 1970 eram como se fosse Halloween o ano inteiro, e a missão era retratar uma realidade em que a ostentação era sinônimo de bem vestir. Em suma, mais era SEMPRE mais.

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É claro que as peles falsas e os paetês chamam bastante atenção no figurino das meninas, mas tente olhar também no cuidadoso trabalho feito com os galãs. O diabo mora nos detalhes: gravatas, abotoaduras, golas e afins são a chave para que as diferenças de estilos e personalidades sejam mais facilmente compreendidos.

Christian Bale;Bradley Cooper

Em 3º – Inside Llwyn Davis.

Quanto a esse, vou ser honesto e confessar que não vi ainda, então o texto vai ser todo de orelhada mesmo. Até porque os votantes do Oscar não assistem a tudo que eles indicam, não é mesmo minha gente? Sou fã dos irmãos Coen até a medula, e só de pensar em novo filme deles já me dá faniquito.Afinal, ainda que o conteúdo de alguns dos seus filmes decepcione, a embalagem – e aí entra também o figurino -, costuma não desapontar.

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Mary Zophres trabalha como figurinista dos caras há muitos filmes e, infelizmente, sua única indicação ao Oscar até o momento veio por Bravura Indômita, um dos produtos que eu acho mais fracos nessa parceria. Pelo material que eu vi até aqui, o trabalho em Llewyn é de grande categoria, com o underground nova-iorquino dos fervilhantes anos 1960 enchendo olhos e ouvidos num filme essencialmente musical.

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Como Carey Mulligan – musa, musa, musa, cala a boca @thaisfarage – é a única atriz com personagem significativo no filme, o trabalho é quase todo em cima de figurinos masculinos, e isso é um dos fatores que mais me ganham. As opções acabam, assim, sempre mais limitadas do que num guarda-roupa de mulher, então haja criatividade pra criar os looks da galerinha alternativa de 50 anos atrás.

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Em 2º – Blue Jasmine

Sou tão fã desse trabalho que já escrevi um post especial para este mesmo (amado) blog sobre o assunto. Pra quem não leu, clica aqui. Difícil fazer dois textos sobre o mesmo tópico, mas vamos lá. Todo mundo tem pelo menos simpatia pelo filme como um todo e pela deusa Blanchett em especial, mas que tal olhar pelo lado inusitado do figurino?

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O processo de décadence avec élégance da protagonista Jasmine é o mote da história, e a figurinista Suzy Benzinger propôs visualmente a seguinte questão: o que caberia da vida pregressa de uma milionária falida em apenas uma mala? A resposta está em peças-chaves muito bem selecionadas, afinal, desapego aqui passa de elevada filosofia a mero choque de realidade mundana.

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A missão de Jasmine se desdobra em duas, a de ser aceita no mundo classe média baixa que agora é o seu e a de continuar parecendo abastada pra dar um jeito de re-subir na vida. Em outras palavras: ser convincente de manhã como secretária de médico e desfilar à noite como dondoca à procura de marido endinheirado que a tire do fundo do poço. Tudo isso em uma única mala.

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Em 1º – The Bling Ring

O último filme de Sofia Coppola dividiu muito as opiniões, a ponto de nem eu mesmo saber se gostei mais do que desgostei. Mas como o critério aqui é funcionalidade das roupas dentro da narrativa, acho que não teve pra mais ninguém em 2013 além da figurinista Stacey Battat.

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A foto de cima, que se tornou mais icônica do que o próprio filme, traduz a importância que os looks teriam não só na composição dos personagens, mas na imersão num universo em que parecer é muito mais importante do que ser. Battat começou o trabalho vasculhando revistas de moda de 2008-09 pra não decepcionar os fashionistas mais atentos: de Teen Vogue para os momentos de wannabes em idade escolar dos personagens até os tabloides que exibiam os looks que inspirariam a inveja e os crimes do grupo.

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Um detalhe que eu amo é o simbolismo fortíssimo que dois pares de calçados carregam dentro da trajetória do personagem do Israel Broussard, o único menino da quadrilha. De um lado, ostentando poder e riqueza pelas ruas de Los Angeles com os lindos tênis azuis da Balenciaga furtados da casa de algum famoso. De outro, escondido até das amigas mais próximas da gangue, alimentando fantasias secretas calçando os sapatos pink de salto altíssimo levados do closet de Paris Hilton. Quem viu o filme pode dizer: difícil imaginar que num par de sapatos estaria a chave para a compreensão dos sentimentos mais profundos de um personagem. Por essa e por outras, é de The Bling Ring meu ouro em figurino de 2013.

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