Relato de Parto Natural Hospitalar

Sempre achei relato de parto uma cafonice sem fim, mas, durante a gravidez, eu li MILHARES. Sério, eu fiquei obcecada pelo assunto, hahaha. Acho também que é um jeito bonito de lembrar como foi, depois que passa muito tempo a gente acaba esquecendo os detalhes. 🙂

Vou tentar resumir, mas já adianto que é post pra quem é paciente. Pega um sorvete, se ajeita na cadeira e vem comigo! <3

No domingo, dia 19 de outubro, eu comecei a sentir um pouquinhozinho de contração. Tava no cinema e, de leve, senti umas cólicas que iam e voltavam. Estava com 38 semanas e 5 dias. Como eu já tava mega ansiosa e mega cansada de estar grávida, qualquer coisa que eu sentia eu já pensava que era invenção da minha cabeça e não dava lá muita confiança. Tava um dia meeeega calor e, depois de algumas horas, as contrações sumiram. Alarme falso, pensei.

No dia seguinte, eu acordei com um líquido escorrendo pela minha perna e pensei: uhuuuu! A bolsa estourou (mal sabia eu que a bolsa quando estoura não é um fiozinho de água, é uma cachoeira inteira! hahaha). Liguei pro Rapha, que tava no trabalho, e fiz ele vir pra casa. Liguei pra minha médica e ela me mandou ir até o hospital e ver se tinha estourado mesmo. Cheguei no São Luiz do Itaim – que foi onde Miguel já estava planejado pra nascer – e nada! Bolsa íntegra, mas eu já tinha 1cm de dilatação. Decepcionadíssima com o segundo alarme falso, voltei pra casa.

Passei o dia todo super bem até que umas 20h, quando fiz xixi, vi um sangue flutuando no vaso. Gelei! Achei que tava tendo um aborto (grávida de primeira viagem é tudo louca! hahaha). Liguei pra minha médica (de novo!) mas ela não atendeu, falei com a doula e ela disse pra ficar calma que devia ser algum reflexo do exame que eu tinha feito no hospital mais cedo. Super normal. Tomei banho, jantei e comecei a sentir uma cólica de novo. Isso era 22h e até então só uma cólica leve, mesmo.

Umas 23h30 a cólica aumentou, ia e voltava e tive certeza: é contração. A dor ia e voltava de 2 em 2 minutos – cronometrados! – e eu juro que não fiquei ansiosa, nem preocupada, nem animada, hahaha, tava esperando tanto esse momento que, quando ele chegou, foi muito natural. Mas desconfiei que talvez fosse pródromos, afinal, eu já tinha lido mil relatos de parto e jurava que a contração começaria num espaço de de 10 em 10 minutos ou 6 em 6 minutos! Não de 2 em 2! Tá errado, eu pensava! Hahahahaha. Mas era a própria! Muito rápido eu já não conseguia mais conversar quando a dor vinha (e vinha toda hora!). Rapha ligou pra Mari (minha doula amada!) e ela achou melhor vir aqui pra casa.

A partir daí a minha lembrança já é mega confusa!

Segundo o Rapha, 1h da manhã a Mari chegou e, nessa hora, eu já tava com bastante dor e completamente sem noção de tempo. Só ficava de quatro, em cima da cama, cheeeeeia de almofada pra apoiar a barriga e amenizar a dor. Mari chegou, começou a me fazer massagem, colocou bolsa de água quente na minha lombar – que ajudava muito! – e confirmou: estamos em trabalho de parto. (Na verdade, eu perguntei mil vezes se era contração de parto, mesmo, hahaha, já tava com medo de que Miguel não fosse nascer nunca mais, sei lá, hahahaha).

A dor continuava crescendo e, pouco tempo depois, decidimos que já era melhor ir pro hospital. Eu tinha essa questão: não queria já chegar no hospital com o neném nascendo pelas pernas abaixo, hahaha. O problema é que entre decidir sair de casa e conseguir, de fato, entrar no carro demoramos mais de uma hora (segundo o Rapha – pra mim pareceu 10 minutos, haha). Muuuuita dor, de 2 em 2 minutos tinha que parar tudo e me concentrar. E lá fui eu: gemendo pelo elevador, escada, garagem, no carro ….

Chegamos no São Luiz as 3h45 mais ou menos (eu lembro de ter visto a hora no caminho). Fui examinada na emergência e a enfermeira disse: 4 cm de dilatação. Quis morrer! Fiquei em pânico! Tanta dor e só isso de dilatação!?!!??! Pedi anestesia, virei leoa, comecei a gritar muito, queria a minha médica, queria descansar um pouco (aloka!). Essa hora foi foda! Ainda por cima, a sala de parto natural estava sendo higienizada do parto anterior, tiveram então que me levar para uma sala de pré parto tradicional. Rapha e Mari foram colocar “roupa de hospital” e eu fui levada de cadeira de rodas, berrando pelo corredor – na verdade, o Rapha fala que eu nem gritei tanto assim, mas na minha memória eu era uma leoa enjaulada dando escândalo, hahahahhaa. Mas, sendo justa comigo mesmo, eu me concentrei muito na respiração e meus gritos era mais da respiração que a Mari me ensinou. Mas às vezes eu xingava, confesso. :X

Cheguei na sala de pré-parto e, ainda na cadeira de rodas, minha bolsa estorou. Dooooor, muita dooooor e litros, litros e mais litros de água e sangue pelo chão. Na minha memória foi tipo novela do Manoel Carlos: tudo muito! Hahaha. A enfermeira me examinou de novo e eu já estava com 10cm de dilatação. Tipo, MUITO rápido. Não sei quanto tempo entre 4cm e 10 cm, mas, com certeza, menos de 15 minutos!

Aí as enfermeiras começaram a arrumar pra mim uma sala de parto tradicional – a de parto natural não ficou pronta a tempo, nem cheguei a conhecer, hahaha – e ligar pedindo pra minha médica correr porque Miguelito ia nascer! <3

Depois disso eu só me lembro de estar na sala de parto mesmo, de respirar muito aliviada quando vi a Débora (minha obstetra) e o Ricardo (pediatra) e sentir muita dor. Débora e Mari me guiavam para o expulsivo, mudei de posição duas vezes (fiquei de quatro zilhões de vezes, tô até hoje com dor no joelho, haha) e em menos de uma hora meu filhotinho nasceu, comigo de cócoras, com a Mari me segurando e com a Débora super, mega, master me guiando.

Eu não tive nenhuma laceração, não tomei anestesia nenhuma, não passei por uma episiotomia, não tive nenhuma intervenção. Nada, zero. Da primeira contração até ter Miguel no colo, foram umas 6 horas! Ele nasceu as 5h35 do dia 21 de outubro. No segundo seguinte ao nascimento eu já tava ótima, 100%, me sentindo musa master, mulher maravilha, hahahaha.

Não há, no mundo, sensação igual a parir assim, ativamente. Imagino que o dia que nosso filho vem ao mundo é mesmo especial de qualquer jeito: seja por cesárea, por parto na água, normal, natural, sei lá. Mas, pra mim, o meu trabalho de parto foi seguramente uma das coisas mais lindas e especiais que eu já vivi. Um sonho realizado! Nem quando idealizei o nascimento do Miguel, eu imaginei que seria tão perfeito, tão incrível, tão especial. Nunca me senti tão forte, tão capaz, tão dona do meu corpo, tão respeitada, amada, bem cuidada. E mais lindo ainda é saber que todo o processo foi igualmente lindo e único pro Rapha – que participou de tudo, que cortou o cordão umbilical (20 minutos depois do nascimento, quando ele parou de pulsar), que foi o marido mais presente e incrível que eu podia sonhar. Posso dizer, sem dúvida, que o parto foi nosso. <3

Se eu pudesse desejar só uma coisa para todas as mulheres do mundo seria esse sentimento. Só isso. Eu sei que ter o parto dos sonhos não é fácil e é raríssimo quem pode dizer que conseguiu, por isso, eu to agradecida demais. E também sei que nem todo mundo idealiza tanto assim o trabalho de parto, hahaha, e que nem todo mundo tem esse sonho (o mundo é lindo porque é plural). Mas eu tinha e eu me realizei muito.

E não posso deixar de falar da minha equipe master musa: Débora Klimke – Obstétra – ela me acompanhou os 9 meses e é a médica mais incrível do mundo: além de super competente, ela é muito fofa e carinhosa. Ela foi essencial no parto, juro! Sem ela eu tinha desistido nos finalmentes, foi ela que me guiou e me disse exatamente o que fazer.

Mariana Amoroso – Doula – na primeira vez que a gente se encontrou eu já soube que ia dar certo. E deu. Ela sabe a hora de ser firme, a hora de ser fofa e principalmente como ser a mais parceira em todos os momentos. <3

Ricardo Coutinho – Pediatra Humanizado – que cuidou muito do Miguelito! Por causa dele Miguel nasceu e veio direto pro meu colo, só cortamos o cortão umbilical depois que ele parou de pulsar, ele visitou a gente os 2 dias que ficamos no hospital, ensinou milhões de coisas, inclusive a dar o banho no ofurô. Aliás, se você vai ter um parto natural hospitalar eu indico muito um pediatra humanizado também. 🙂

Nossa primeira fotinho, ainda na sala de parto. Prometo que, em breve, organizo e posto mais fotos! 🙂

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