Birra, Comida e Meu Método

Não sei vocês aí, companheiras, mães de bebês de 1 ano, mas aqui a birra já chegou. Miguel é um bebê de boa, não é genioso, mas quando ele cisma que quer alguma coisa…. ele realmente se empenha, haha. A birra acontece quando eu falo não pra determinadas coisas, mas vou contar aqui como eu tenho encarado especificamente o lance da comida.

Quando Miguel tinha poucos meses eu fui em um pediatra meio terapeuta, hahaha, pra dizer que Miguelito não dormia e pedir socorro pra todo aquele drama que vocês já sabem… aí, dando um exemplo sobre outra coisa, ele me falou uma frase que ficou na minha cabeça pra sempre: “pense bem em quais brigas você vai comprar, não se desgaste com bobagem, do contrário, vai faltar energia para o que de fato importa para vocês.”. Eu abracei esse mantra e tento, na medida do possível, fazer isso.

Nessa fase de querer mexer em tudo, enfiar o dedo na tomada, jogar tudo na privada e catar coisas na lata do lixo… eu decidi que eu só falo não pro que não pode meeeesmo fazer. Pode empurrar todos os livros da estante? Preferia que não, mas deixo, não vejo muito problema (coloquei na altura dele os livros que não tenho muito apego…). Esse é um exemplo que choca 100 entre 100 pessoas-sem-filhos que visitam a gente! “Como assim você deixa ele zonear a estante (com cara de piedade pros livros)?” Não dá pra falar não pra tudo, o livro não é um problemão, posso lidar. Também deixo lamber meus pincéis de maquiagem (evito os muito sujos, apenas, haha), deixo brincar com a minha agenda (ai!), deixo mexer no meu secador de cabelo/chapinha/babyliss, deixo pegar coisas no chão da rua (mas não deixo comer, obviamente, haha). Sou bem permissiva.

Tudo isso pra dizer que quando eu digo ‘não’ é não e acabou, inegociável. Não tem mimimi, não tem papo: tem que comer e tem que sentar pra comer, j-a-m-a-i-s ficarei correndo com prato atrás de criança (e deus ajude que eu não pague língua!), tem que dormir na hora de dormir, tem que tomar banho na hora de tomar banho. E, mesmo ele sendo pequenininho, eu já explico tudo, em palavras de adulto, de igual pra igual: “filho, agora tá na hora de comer, não dá pra sair da cadeirinha, tá? Já, já a gente brinca mais.”. Ele protesta, claro, mas eu trago uns brinquedos, uns livros, canto, ele se acalma, fica sentado e comigo ele sempre come. Dá trabalho? MUITO! Fico cansada? Sempre. Mas é onde eu resolvi gastar energia.

 birra e comida 1na foto ele ta tomando iogurte batido com fruta – comida preferida então não tem drama, hahaha.

Estamos vivendo essa fase chata em que ele não quer parar de brincar pra comer, comer é chato, brincar é maneiro. Ele tá andando, correndo, pulando e tem que sentar pra comer? Uma chatice, né? Mas fazer o quê? A vida inclui frustrações, então, sim, tem que sentar e comer.

Eu fui uma criança que sofri muito com comida. Meu pai e minha mãe foram terríveis nesse aspecto (coitados, mas foram) e me obrigavam a comer com chinelo do lado pro caso de eu resolver me rebelar. Um horror! Eu precisava comer coisas que eu odiava e durante MUITO tempo eu tive uma relação HORRÍVEL com a comida. Não quero isso pro meu filho, jamais. Quero que comer seja legal, prazeroso, um momento feliz. Mas eu também acho surreal criança que não come nada, que resolve fazer a dieta do macarrão, sei lá. Comida é importante, traz saúde, é crucial aprender a comer bem e saudável desde cedo. Minha luta é achar um meio termo entre o terror que eu vivi e o terror das crianças que não comem nada. Tenho conseguido.

Aqui em casa tudo é negociável, a gente respeita demais as vontade e necessidades do Miguelito, por outro lado, algumas coisas precisam ser feitas e fim de papo. No caso da comida, não quer mesmo comer? Tá sem fome? Não come, não tem gritaria, não tem escândalo, mas aí só come de novo na próxima refeição. Não dou outras coisas no meio do caminho…

Mas encerro com a certeza de que cada um tem sua crença e cada um sabe onde o calo aperta. Minha crença é na comida. É onde me dedico 200%, é onde sou chata, mesmo: não come sal, não come açúcar, quase não come industrializado, a comidinha dele é fresca 99% das vezes, cansei de passar final de semana cozinhando pra ele. Mesmo em viagens. Acredito que comida é saúde, que comida é hábito.

Respeitar a criança como ser humano X a necessidade de limites é, pra mim, um mistério. É teste. Acerto e erro. Mas acho que temos acertado mais que errado e sigo sem culpa. 🙂

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