Blogueira, Sim!

O boom das blogueiras aconteceu lá por 2009/2010, meninas que eram meras desconhecidas com bloguinhos curiosos, de repente, passaram a ser convidadas para desfiles, terem número de acessos gigas e ganharem, sim, muito dinheiro com isso. Essa história vocês já conhecem, não vou ser repetitiva.

O problema é o que veio depois: muita blogueira desonesta, muita gente fazendo publipost sem avisar, muita menina mentindo pras fiéis seguidoras, muita gente sem conteúdo passou a produzir conteúdo. Muita polêmica em torno das meninas do F*Hits, muita socialite usando blog como ferramenta para se manter na mídia. Era inevitável, o termo ~blog de moda~ passou a ser usado de um jeito super pejorativo e ~blogueira~ passou a ser a pior das ofensas para quem blogava mas não tinha essas condutas absurdas.

Eu fui uma das que não topava ser chamada de blogueira, eu dizia que eu era produtora de conteúdo. Eu preferia morrer a ser apresentada como blogueira, ‘eu estudei muito, eu penso diferente, eu tenho outras referências’, era meu monólogo interior, haha. E eu entendo e respeito quem não quer esse título. Mas eu pessoalmente mudei de opinião quando vi um post da Dulce Delight, lá na página do facebook. O post tá aqui pra quem quiser ir lá conferir, mas, em linhas gerais ela disse que “1- eu não sou blogueira, não faço jabá transvestido de opinião pessoal e 2- não peço nada de graça porque como fruto do meu trabalho, ganho dinheiro pra pagar pelo o que eu desejo. Ah, e tbm nao precisa me pagar por esse post aqui não porque a sua panelinha é realmente espetacular.”.

Fiquei mega master ultra incomodada. Eu nem conhecia esse facebook/site/youtube e pensei dias antes de escrever sobre isso… a idéia não é polemizar mas questionar, mesmo, levantar um pensamento. Por partes:

1- Acho muito grave, chato, desrespeitoso, feio e agressivo argumentar que ela não é blogueira  porque ela não faz jabá travestido de opinião pessoal. Na boa, muita gente não faz, eu leio muitos blogs que não fazem. Ser blogueira é ter blog, ser blogueira não é sinônimo de fazer jabá travestido de opinião pessoal. Eu sinto muitíssimo por ela, que só conhece blog desoneto, mas tem muita gente ganhando dinheiro honestamente blogando. Além disso, mundo, aceite!!! Ser blogueiro é ter blog! [segundo esse dicionário, ser blogueiro é: sujeito que cria, possui autoria ou escreve em algum blogue.]. Quem tem blog é blogueira, pode não ser blogueira de moda, pode não ser blogueira profissional, mas é blogueira. Fim.

2- Eu não entendo, mas qual a vantagem de debochar e diminuir as outras meninas que estão ganhando dinheiro com internet? Mulheres esculhambando mulheres? Cadê sororidade? Cadê feminismo? Eu acho que a gente pode (e deve) ter espírito crítico e feminismo não é sobre passar a mão na cabeça das outras mulheres, mas será que a gente, de fato, muda o mundo, melhora as relações, faz melhorar o mercado, quando joga pedra em outra mulher?

3- Qual o problema de pedir? Sinceramente? Eu já fiz várias parcerias, com várias marcas em que eu fui até eles e propus produto em troca de post. Acho ótimo poder escolher a marca que eu gosto, o produto que eu acredito, pra fazer uma publicidade. Eu não curto pedir produtos só porque tenho blog, mas e daí? E quem curte? Onde tá escrito na constituição que isso é proibido? Ao contrário de ganhar dinheiro fazendo publicidade escondida (que é proibido pelo código do consumidor), pedir, até onde eu sei, não é proibido. Acha a atitude ruim? Não faça. E você, marca que acha chato blogueira pedindo coisa, não dê. Simples assim. Cadê o drama? “Ah, mas aí a marca não anuncia comigo porque fulana faz post de graça em troca de produto.” Gata, não se regule pelo mercado. Ninguém deixa de comprar uma bolsa Chanel de R$15 mil porque existe uma bolsa de R$50 reais na C&A. É a mesma coisa com os blogs. Aliás, é a mesma coisa com qualquer profissão em qualquer atividade capitalista.

Eu acho que me atrasei muito com o blog (que é a parada que eu mais amo fazer na vida!!!) porque eu achava feio ser blogueira, porque eu também tinha preconceito. Hoje o blog faz 5 mil visitas únicas por dia, e eu não tenho um único anunciante, claro que isso é culpa minha, culpa desse pensamento de que é feio ganhar dinheiro escrevendo sobre moda, de que blog tem que ser por hobby. Blog pode ser trabalho, não tem nada de feio nisso, tem que ser honesto (como tudo), tem que ser bem feito (como tudo), tem que ter postura profissional de trabalho (como tudo), mas pode. E deve. Já falei mais sobre isso nesse post aqui.

Depois que li esse post, eu fiquei pensando que sou blogueira, sim, que eu tenho blog, atualizo todo dia, faço conteúdo muito bom, leio, pesquiso, estudo e ter blog não me faz menor que ninguém. Quem tem preconceito com o termo blogueira que se resolva internamente, que não seja meu amigo, que não faça consultoria  de estilo comigo… tá tudo bem. Tô tranquila sabendo que faço tudo que eu acredito e tô feliz em fazer desse jeito. Sou do tempo que feio era roubar, matar, mentir, debochar dos outros, não trabalhar. Sim, blog pode ser trabalho, e n-u-n-c-a vejo essa discussão quando falamos de blogs masculinos (de tecnologia, de futebol, de cinema, de nerd…). Só vejo esse monte de pedra voando nas mulheres que trabalham com moda. Sabe por quê? Porque a gente vive uma sociedade hipócrita e machista em que mulher não pode ganhar dinheiro e que moda é só futilidade. Uma pena perceber outras mulheres dando força pra esse discurso.

Agora, se nós, blogueiras, achamos que o mercado precisa ser mais discutido, profissionalizado, regulamentado, então vamos organizar uma reunião, uma conversa, uma lei que diga o que pode e o que não pode, o que é legal e o que não é? Vamos então criar um sindicato, um órgão regulador, uma sociedade (tipo tem de medicina, engenharia, haha). Não sei, mas acho que só deveria ser convidado quem, de fato, se acha blogueira.

 

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