Making A Murderer – Como Não Falar Sobre Isso?

Making a Murderer é uma série documental do Netflix e conta a história de Steven Avery. A sinopse rápida é a história de um cara que foi acusado de um crime que não cometeu e ficou preso por 18 anos (trailer aqui!). E isso, meus amigos, não é spoiler. Isso é só o inicinho da série, o primeiro episódio. Depois disso muuuita coisa acontece. Muita. A série se passa em Manitowoc, no estado de Wisconsin, também conhecido como um dos lugares mais bizarros do mundo.

Por um acaso desses da vida, eu já morei em Wisconsin! Fiz work experience em Baraboo, cidade que fica a 2 horas e meia de Manitowoc e, talvez por isso, aquelas pessoas me soem tão familiares e tão reais (e porque é real mesmo, né, haha). É muito louco porque Wisconsin parece que é um lugar fora do mundo, você olha pras imagens do documentário e tem a sensação de que elas são de época, que não fazem sentido hoje em dia (roupas, cabelos, opiniões…), mas é tudo contemporâneo. É muito estranho.

Rapha e eu vimos as 10 horas de série em 4 dias consecutivos. Tenho amigos que fizeram maratona e viram tudo em um dia só e, talvez, esses seja o melhor jeito porque eu passei 4 dias inteiros só pensando na série, sem conseguir me desligar por um segundo! É das coisas mais tristes e arrasadoras que eu já vi, juro!

Mas, como também fiquei viciada, trouxe a história pra cá e contei 5 curiosidades da série (as 3 primeiras são sem spoiler!), me contem também se vocês já viram, se amaram, se odiaram, se sofreram… hahaha.

1- O documentário demorou 10 anos para ser finalizado e foi dirigido, fotografado e montado por duas mulheres: Moira Demos and Laura Ricciardi. Elas reuniram mais de 700 horas de material.

2- As duas precisaram se mudar de NY para Wisconsin para conseguir acompanhar de perto toda a história. Elas, que se formaram em cinema em 2005, conheceram o caso pelo jornal e foram até lá para fazer o documentário. Moira precisou trabalhar como eletricista em cinema e tv e Laura trabalhou com direito (curso que ela fez antes de cinema) durante esse tempo.

3- A série conta com muita imagem de arquivo, e isso só foi possível porque o estado de Wisconsin filma e disponibiliza para uso público todas as audiências, prisões, depoimentos… isso foi fundamental para que elas conseguissem encher de detalhes e informações toda a série.

SPOILER ALERT – TÔ AVISANDO, HEIN?!

4- As diretoras da série nunca conseguiram encontrar Steven pessoalmente, por isso, toda a versão dele é contada apenas com áudio. Ele estava preso, e elas tinha contato com ele apenas por telefone. Aliás, ele também nunca assistiu à série, já que na cadeia não tem Netflix e também não é permitido assistir dvd ou afins.

5- A ex-noiva de Steven, Jodi, deu uma entrevista dizendo que acha que ele é mesmo culpado. Disse que ele a estuprou durante os 2 anos de relacionamento e que sempre a ameaçou. Mais sobre isso aqui.

A parte amor, são os advogados do Steven! Saca o tumblr, que maravilhoso! E sim, a Vogue também ama Dean Strang! <3. Impossível não ficar super apegada, haha. Eles já viraram web celebrities e, tudo indica, vão voltar a defender Steven Avary em breve.

É impossível saber se Steven Avary matou mesmo a fotógrafa, é impossível saber se ele é inocente ou não. Acho que Making a Murderer mostra apenas como a justiça é falha, manipuladora e como, no fim das contas, quem é pobre e odiado paga até pelo que não fez. Tem duas coisas que me revoltam muito na série: o sobrinho, Brendan, que claramente é um menino especial, com alguma síndrome, não sei, mas ele é sempre tratado apenas como ‘burro’. Ninguém percebe como ele não pode ser julgado e condenado como uma pessoa plenamente capaz das faculdades mentais? Morrooooo de pena do menino, penso tanto nele, acho um crime tão grande esse tratamento para pessoas especiais. E é uma loucura porque ninguém cogita isso na série, nem os advogados dele.

Outra coisa revoltante é ninguém pagar pela condenação errada no caso do estupro. Ninguém. O cara recebe uma mixaria de indenização, e fica por isso mesmo. GENTE! São 18 anos, uma vida perdida, família dilacerada, filhos que ele não viu crescer, um casamento que acabou, uma reputação que nunca mais se estabelece. Surreal.

E a mãe do Steven, gente? Que mulher! Essa aí vai pro céu sem escala, coitada, ninguém merece.

Enfim. 🙁

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