A Melhor Mãe Do Mundo Não Sou Eu

Eu não sei quem é a melhor mãe do mundo, só sei que não sou eu. Eu abandonei essa corrida já faz um tempo, aliás, eu nem sei se eu entrei nela, de verdade, algum dia. Posso te contar uma coisa? Eu não sou uma pessoa competitiva, eu sou tão preocupada com a minha vida que eu sequer olho em volta e, pra competir, você precisa se preocupar com o outro, né? Eu não dou a mínima.

O objetivo desse post é bem claro, é dizer que eu-não-suporto-mais-o-mundo-afirmativo-das-mães. Sério. Que sacoooooooo. Gente chata dos infernos que, quando eu reclamo de alguma coisa (qualquer coisa) relativo à maternidade, em segundos aparece uma mãe cheia afirmativas-ordens, tipo ‘mas ser mãe é a melhor coisa do mundo’, ‘mas nada disso se compara ao amor pelo filho’, ‘mas depois de ser mãe a gente não sente mais falta de sair a noite’, ‘mas você sente falta da vida antiga? Nossa, eu me reinventei totalmente, nem faz mais sentido pra mim o que eu fazia antes.’.  Amiga, sério, me dá a mão e ouve: esse post não é sobre você, é sobre mim. Tcharã! Se você não consegue sentir um pouquinho de empatia pelo outro e falar alguma coisa de legal apenas cale a boca. Não é sobre você.

Não é possível que toda vez que eu quiser reclamar de alguma coisa eu vou precisa falar antes de tudo que eu amo Miguel mais que tudo na vida, que ser mãe é sensacional. Não é possível. Não pode ser tão chato assim, na boa.

Talvez você ache mesmo que ser mãe é a melhor coisa que aconteceu na sua vida, que ser mãe é sua grande realização, que não é nada cansativo-estressante-confuso-difícil. Eu vou defender até o fim o seu direito de dizer isso. Eu vou acreditar em cada palavra que você disser. Mas fazer um ranking e dizer que você é melhor mãe por isso é uma sacanagem enorme, é de uma crueldade sem fim, é um desserviço pro mundo. E, na minha timeline-blog-ig não vai rolar.

06dejunho2016-64a melhor mãe do mundo não ensina pro filho a sentar no alto do sofá, né? eu ensinei.

E, olha, na boa, você não é melhor mãe do mundo se você não sente falta de sair a noite, de trabalhar sem preocupação, de passar o domingo deitada de ressaca, de viajar um mês sem dar um telefonema. Mais uma vez, desculpa te contar assim, mas somos mães igualmente boas, mesmo eu sendo mais reclamona, mesmo eu AINDA gostando de quase tudo que eu já gostava antes do Miguel nascer. Todas as mães que estão aí fazendo o melhor que podem (e, com exceção das pessoas malucas, todas estamos), são igualmente boas mães. Fim.

Se você escolheu ficar em casa com seus filhos ou se você escolheu trabalhar ou ainda se você pensa em trabalho-carreira com paixão e, sobretudo, se você não pode escolher nada disso e simplesmente precisou fazer o que era pra ser feito naquele momento: somos todas as melhores mães que podemos ser. Você não é melhor que eu, eu não sou melhor que você. Ufa.

Eu até acredito que algumas pessoas tem mais talento pra maternidade que outras. Acontece. Tem gente que se sente plenamente realizada sendo mãe e que isso, só isso, já basta. Eu não sou assim, eu preciso fazer outras coisas, eu preciso pensar em outras coisas, eu preciso ficar sozinha, eu preciso ser adulta que tem conversa com adultos. Mas, de novo, isso não me faz pior mãe e é muito chato quando a pessoa vem no meu espaço (seja ele virtual ou real) querer me convencer disso, querer me encher de culpa por isso. Não vai rolar. Poderia acontecer se eu não fosse quem eu sou (uma feminista criada por mulheres felizes e realizadas), mas comigo não cola.

E, por fim, eu não vou competir. Eu me acho uma mãe sensacional, não fico me chicoteando porque fiz ou não fiz determinada coisa, não morro de culpa. Eu tô feliz. Eu desejo do fundo do coração que você também fique feliz com a sua vida, com as suas escolhas como mãe, que seu coração fique tranquilo porque você está fazendo o seu melhor e é só isso que importa. Somos humanas e é muito importante respeitar o que há de humano no outro também.

ps.: eu acho que já escrevi uma dúzia de posts com esse título, vamos mudar de assunto, gente, porfavô!!!

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