Postal Service 05.06.17

Como quem acompanha a Thais já deve ter percebido, ela está com mil projetos maravilhosos e com o tempo curto, mas como a gente não quer deixar o PS morrer eu vou continuar postando sozinho por enquanto. Um postal service bem monotemático, mas logo menos eu volto ; )

 

William Gibson – A Trilogia Blue Ant

Eu ando pensando muito sobre o futuro e retomei o William Gibson, já tinha lido o Reconhecimento de Padrões na época que saiu e agora resolvi emendar os outros dois. Uns tempos atrás uma amiga me perguntou que personagens ficcionais me faziam lembrar dela e eu comecei a ficar com essa mania, e a Cayce Pollard, personagem do primeiro livro e a Hollis dos dois últimos me lembram demais você. O Gibson escrevia ‘cyberpunk’, é o cara que inventou o cyberpunk com Neuromancer. E eu tenho sempre a impressão que todo mundo que faz alguma coisa relevante esteticamente hoje é cria de Neuromancer, Ghost in The Shell, Akira e/ou Blade Runner, mas isso é outra história.

A partir desse livro o Gibson sacou que não fazia mais sentido ser futurista porque a gente meio que já vivia o futuro e que dava pra escrever um romance contemporâneo com o mesmo efeito alienígena de futuros imaginários ou planetas distantes. E os livros envelheceram maravilhosamente bem e estão nessa interseção que a gente ama de moda/cultura/tecnologia. A protagonista do primeiro livro era uma cool hunter antes de todo mundo ser coolhunter, alérgica a branding e minimalista antes de todo mundo. E apresentou o maravilhoso conceito de CPUs, que me lembram a sua fase de estilo (bem mais extrema, mas ok haha):

“As CPUs para a reunião, refletidas na janela de um especialistaem parafernália mod no Soho, são uma nova camiseta Fruit of the Loom, sua Buzz Rickson MA-1 preta, uma anônima saia preta de um brechó de Tulsa, os leggings pretos que ela havia usado para praticar Pilates, sapatos pretos de estudante de Harajuku. Seu equivalente de bolsa é um envelope de plástico laminado preto da Alemanha Oriental, comprado no eBay – se não for material original da Stasi, pelo menos convence.
(…)
Cayce Pollard Units, Unidades Cayce Pollard. É assim que Damien chama as roupas que ela veste. As CPUs são pretas, brancas ou cinza, e o ideal é que elas pareçam ter vindo ao mundo sem intervenção humana. O que as pessoas interpretam como minimalismo irredutível é o efeito colateral de um excesso de exposição aos núcleos reatores da moda. Isso resultou em uma redução implacável do que ela pode e vai vestir. Ela é, literalmente, alérgica à moda. Só consegue tolerar coisas que poderiam ter sido usadas durante qualquer ano entre 1945 e 2000, sem que qualquer pessoa conseguisse especificar com exatidão a época. Ela é uma zona neutra de design, uma antiescola de uma mulher só cuja própria austeridade periodicamente ameaça criar seu próprio culto.

(O Gibson é super rato de ebay e você vai se pegar viciada em procurar as referências por lá). Os outros livros também tem momentos maravilhosos e o terceiro sobre a relação uniformes militares / moda tá me dando um mindfuck maravilhoso. Não são livros muito psicológicos, não são alta literatura, mas ele descreve bem pra caramba e cria uma espécie de estranhamento que acaba deixando a gente maravilhado de estar vivo pra ver isso tudo.

Playlist Cameron Howe.

A Cameron Howe é outra personagem que me lembra muito você, é meio trapacear ser tão temático assim e já deixar o gancho pra próxima sugestão? Essa playlist é do começo do punk/post-punk. Eu acho que essa bolha dos anos 80 é muito mais avançada do que quase tudo que rolou nos anos 90 e 00 e talvez os únicos herdeiros possíveis são o rap e o pop de hoje. O post-punk levantava questões políticas e sentimentais fodas, mostrava que essa linha é bem mais tênue do que parece e quase todas as bandas eram mistas. Além de ser bom pra caralho pra dançar, correr, fazer faxina e derrubar governos.

Halt and Catch Fire.

Bem, é a série que saiu essa playlist. A série começa nos anos 80 com as tentativas de invenção do PC e na terceira temporada para no começo da internet (ainda vai rolar a quarta e última). Talvez você não ame muito a primeira temporada, mas ela cria as bases pras próximas que vão ser maravilhosas. Duas das protagonistas são mulheres maravilhosas (muito mais legais que os caras, na real) e no final da terceira temporada tem a Cameron dançando pixies o que já valeria cada segundo.

Masashi Wakui / LIAM WONG


http://masa-photo.tumblr.com/
https://www.instagram.com/liamwon9/

Esses dois fotógrafos são meu feed eterno de imaginação pra ambientar esses livros do Gibson. Acho que vai funcionar pra você também 😉

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