4 LIÇÕES DE “HISTÓRIAS PARA VESTIR” QUE VOCÊ PODE APLICAR AGORA

Eu confesso: sou uma adoradora de histórias sobre roupas e pessoas. Engraçadas, emotivas, curiosas, únicas, eu mesma tenho várias delas pra contar. Então nada mais natural do que ter ficado empolgadíssima com o lançamento recente de “Histórias para Vestir”, uma série de oito episódios baseada no livro “Worn Stories”, de Emily Spivack

Mas olha, apesar de ser daquelas séries rápidas e ótimas para mentes tristes e ansiosas ou para a hora do almoço, não vá esperando conteúdo bobinho, dicas de moda rasas, nem nada disso! Cada episódio te convida a um mergulho profundo e emocional em memórias, experiências, afetos e todo o universo de relações subjetivas e ricas entre peças de roupa e comportamento, cultura e identidade. Depois de maratonar entre (muitas!) gargalhadas e lágrimas, compartilho aqui algumas lições que a série traz sobre moda e sobre a vida. <3

1) PARECER MAIS MAGRA NÃO PODE SER O FATOR QUE DEFINE COMO VOCÊ SE RELACIONA COM O QUE VESTE

Logo no primeiro episódio a série já me trouxe muito para pensar. A relação de uma das protagonistas com sua peça favorita, um suéter amarelo, é linda, mas ao vestir e olhar para a câmera, o primeiro questionamento que ela faz é: “fiquei gordinha?” Lembro de imediatamente pausar o episódio e sentir um grande soco no estômago, enquanto mulher que sofreu gordofobia durante grande parte da vida.
Mais importante pra ela do que contar sobre a relação simbólica com sua peça é saber a opinião do outro sobre como o corpo dela é visto. 

Histórias para vestir - suéter amarelo

A primeira lição importante da série vem então como um raio: Por que o olhar do outro sobre nosso corpo importa e muitas vezes ainda dita a nossa própria visão sobre ele? Por que uma peça de roupa nos fazer parecer mais gorda é ruim? Por que parecer magra deveria ser prioridade para alguém se vestir ou relevante para nos fazer deixar de gostar da nossa peça de roupa favorita?

Você tem pensado sobre como esses padrões gordofóbicos afetam suas escolhas?

2) O QUE VOCÊ TEM DE MAIS ÚNICO PODE SE TRANSFORMAR NA SUA ASSINATURA DE ESTILO

Mesmo quem escolhe não estar vestindo uma roupa está contando sua história, deixando a personalidade transparecer de alguma maneira. De que forma você tem mostrado a sua?

A série passeia entre nudistas, profissionais do sexo, adolescentes, artistas, políticos e tantos mais pra te lembrar que ninguém pode montar um look como você mesma! E mais, que o segredo é justamente descobrir o que você tem de mais especial e transformar no seu diferencial. É seu jeito de (des)combinar as peças, misturar as cores e estampas, de usar acessórios?

Frederica Wilson Chapéu
Reprodução Netflix

Em uma das histórias contadas na série, Frederica Wilson, membro da Câmara dos Representantes dos EUA, mostra como a sua assinatura de estilo se tornou usar chapéus e looks combinando com eles todos os dias, e conta como isso fez com que ela, mulher negra, conseguisse chamar mais atenção para aquilo que diz em um ambiente político que descredibiliza mulheres a todo instante, especialmente negras.

Dica extra: Roupa é uma ferramenta poderosa pra te ajudar a alcançar os lugares que você quiser!

3) ROUPA É MUITO MAIS QUE TECIDO: É IDENTIDADE, PERTENCIMENTO, CORAGEM E LIBERDADE.
Simon Doonan Leggings
Reprodução Netflix

Em vários episódios a série nos convida a pensar: “Vou ousar me mostrar?”, com histórias emocionantes sobre como a moda pode ser ao mesmo tempo um lugar desumanizador ou um lugar de resistência. Ao criar um sentimento de “comunidade”, permite que nos conectemos com outros que julgamos semelhantes, sendo assim responsável por parte dessa identidade que não é só individual, mas também coletiva. Para a comunidade LGBTQI+, por exemplo (e a série nos traz relatos lindos sobre isso), se vestir é decisivo no processo de autoaceitação, pertencimento e liberdade, um verdadeiro ato de coragem de ser quem se é.

4) ROUPAS ETERNIZAM VÍNCULOS E NÓS NUNCA PRECISAMOS TANTO DELES

Tá aí uma super lição pra esse momento pandêmico, afinal, nunca foi tão necessário nos sentir conectados ao que nos traz algum conforto emocional. A série nos mostra como as roupas podem, de diversas formas, manter alguém que já se foi ou está distante próximo a nós e como esse pedaço de tecido tem poder mágico de manter lembranças vivas.

Aqui peço licença pra te contar sobre minha relação com as roupas da minha avó, que já faleceu há alguns anos. Tenho várias peças dela (que tinha um armário incrível!) e toda vez que uso alguma é como se levasse minha avó pra passear junto comigo, sabe? E também como se eu ganhasse de bônus parte da irreverência e presença marcante que ela tinha. Impressionante como SEMPRE alguém elogia meu look quando escolho vestir algo que era dela. Tenho especial apego a uma calça floral, que ela já usava quando eu era criança e que eu usei muito enquanto adulta, mais de 20 anos depois. Hoje já não me serve mais, mas assim como a gente já aprendeu aqui na Farage.Inc, essas peças xodó podem ficar lindas na decoração da casa, né?

Aline Massa com a Avó
Acervo Aline Massa

Aline Massa usando a roupa da Avó
Acervo Aline Massa

Voltando à série, uma história que me marcou sobre o tema é a de uma mãe que costurou para o filho um cobertor de retalhos enquanto estava presa e esse foi o símbolo de aproximação entre eles por 40 anos. É lindo perceber como as roupas contam sobre a nossa ancestralidade e nossos amores, né?

Dica extra: essas roupas especiais podem ser a sua assinatura de estilo de que falamos antes, lembra?

Espero que você tenha ficado cheia de vontade de correr pra assistir, eu amei demais a série!

Ah, mais uma coisa: se eu puder te indicar apenas um episódio para assistir nesse momento difícil que estamos vivendo coletivamente seria o “Sobrevivência”. É especialmente bonito e nos lembra que, acima de tudo, estamos vivos. E que nossa relação com as roupas muitas vezes pode nos salvar de diversas formas, como uma espécie de antídoto contra a dor. Pesquisar e escrever sobre roupas, como forma de passar por esse período apocalíptico, tem me salvado, viu, todos os dias. 🙂

21 comentários em “4 LIÇÕES DE “HISTÓRIAS PARA VESTIR” QUE VOCÊ PODE APLICAR AGORA”

  1. Que delícia de texto. Coincide com uma retrospectiva que eu tô fazendo sobre minha relação com as roupas e o vestir.
    A série não me fisgou, mas ler seu texto deu ânimo pra tentar de novo.
    Muito obrigada

  2. Você arrasou! Já vou te seguir. Pensamos parecido. E oh, quando cliquei na tua bio, e veio um leque de opções pra ler, vi que você já deu certo há tempos. Abraço e muito sucesso.

  3. Josiane Cubas

    Pqp!!!! Que texto maravilhoso!!!! Sim me deu vontade de ver a serie e além disso fiquei super feliz em ler esse post 🙂 traz uma perspectiva diferente, tão boa e leve, como uma brisa nesses nossos dias 😊

    Te desejo muito sucesso e que vc va adiante! Sempre ❤

  4. Simplesmente AMEIIIII!!! Você é maravilhosa e escreve lindamenTe Aline!!!
    Desejo todo sucesso e continue sendo inspiração pra muitas!!! Bjs

  5. Janaína Monteiro

    Adorei o texto, tão importante perceber que a roupa fala, muito bom!!! ♥️ Ainda não assisti, mas louca pra ver.

  6. Ainda não cheguei ao final da série mas do que vi, amei! Cada pessoa tem uma relação tão particular com aquilo que veste (ou deixa de vestir) e a gente vê como a roupa pode adquirir tantos significados em diferentes momentos da vida. Adorei a análise e vou retomar a série!

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