ch-ch-ch-ch-choices

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eu admiro mto quem não se arrepende de nada, me arrependo de tanta coisa que se eu listar deprimo. a que eu mais me arrependo, atualmente, foi de não ter ido estudar fora qdo tava na faculdade.

poderia ter ido, não teria sido facílimo, não tenho uma família rica, mas eu poderia ter ido. a uff tem uns convênios incríveis, tenho amigues que foram… eu podia ter ido, existiu essa chance e eu deixei passar. já falei mto disso na terapia pq eu realmente ficava magoada comigo mesma (pois é) e, ao longo do tempo, me dei conta que dos motivos que me fizeram, sem perceber, abrir mão de ir.

primeiro porque ninguém achava que eu ia fazer uma faculdade pública. dirá de cinema. nem eu. minha família vai dizer que acreditava, hahaha, mas, de verdade, não era assim. eu era uma dúvida geral. eu não gostava de estudar, fui uma adolescente confuseira, leopoldina não tem nem cinema, e todo mundo precisa admitir que fazer cinema parecia uma loucura da minha cabeça. eu não era mesmo uma promessa, não tinha nenhuma razão pra esse plano dar certo. era o underdog, sem dúvida. e sigo achando que foi uma loucura e que só funcionou porque eu não tinha nada a perder.

era tão longe de ser verdade, que mesmo quando eu passei, sonhava todas as noites que eu chegava na aula e meu nome não estava na chamada e aí alguém me dizia tinha sido um erro, que eu não tinha passado, não. sonhei isso mil vezes, só parei quando peguei a declaração de formada, te juro.

e depois tinha o pânico de não ter trabalho. trabalhei enlouquecidamente desde o primeiro período. teve greve, não voltei pra minas e fiz todos os trabalhos de graça e remunerados que apareceram. estagiária de tudo. não fui a nenhuma viagem da expresso coletivo, minha turma da uff, super me arrependo. perdi casamentos, festas, viagens, só trabalhei. tinha essa ansiedade de provar que tinha conseguido. que bo-ba-gem.

vou dizer que teve também um combinado de caipirice com machismo. eu sentia que eu já tinha ido longe demais pros meus padrões e expectativas (caipirice) e, sinceramente, olhando em retrospecto, me faltava exemplo feminino de carreira foda em cinema. vale lembrar que o cinema brasileiro é bem machista e, mesmo em profissões tidas como femininas – tipo direção de arte e maquiagem – as pessoas mais famosas são os homens. se formos falar de direção e direção de fotografia, então… te convido a pegar um banquinho pra sentar e chorar aqui do meu lado.

sair de leopoldina já foi um esforço imenso pra mim, sair de minas foi outro, passar numa faculdade federal não foi simples, não achei moleza morar sozinha, logo de cara (depois amei!). tinha tanta coisa nova acontecendo que não percebi essa passando.

não tenho nenhuma conclusão pra esse texto. acho que fiz um monte de escolhas erradas, na real. trabalhei mais do que precisava, fiz um monte de filme ruim que não deveria ter feito, tenho enorme dificuldade pra, olhando em retrospecto, entender o que, de fato, fez diferença na minha vida. devia ter trabalhado, sim, mas ido nas festinhas também, estudado mais e feito as viagens da minha turma.

me faltou visão haha. e não, não fiquei mais sábia com os anos.

8 comentários em “ch-ch-ch-ch-choices”

  1. Thais, acho que todo mundo na vida tem arrependimento em alguma área. É mt pressão pra escolher uma profissão, para “dar certo” antes dos 30 (o que é dar certo?), para ter uma vida linear como um final feliz (casa própria, bom emprego e família). Daí vc chega aos 30 e vê que a vida é mais do que isso e que poderia ter sido mais leve na pressão consigo.
    Meu sonho era ter passado numa faculdade pública. Não consegui de primeira. Meus pais me incentivaram a entrar logo numa particular e não perder tempo (fiz 18 anos no segundo período). Não os culpo mais. Eu poderia ter insistido, mas no fundo não acreditava que seria capaz.
    Também tive uma oportunidade de fazer intercâmbio mas o medo de mudança me impediu de ir. Sempre penso em como teria sido, se eu teria voltado mudada.
    Enfim, a gente que lute com as nossas frustrações.

  2. amei seu texto! tenho 17 anos, um desejo meu é fazer intercâmbio, mas antes de março minha mãe estava desempregada e o contrato dela já já acaba. vou tentar algo na faculdade, mas vou leve sabendo que fiz tudo que pude.

  3. Ah Thaís como amo ler seus textos! Eu fui a primeira da minha família a cursar faculdade publica, era uma criança prodígio, apesar de todos confiarem em mim, por ninguém ter cursado faculdade pública, nem imaginavam que esse cenário existiria. Demorei 3 anos para passar na minha faculdade dos sonhos, e também já sonhei isso de não acharem meu nome na lista, hahaha Agora eu tenho 22 anos e estou vivendo o seu oposto, pois estou super frustada por não ter um emprego e depender ainda dos meus pais que não são nem perto de serem ricos. Como cada escolha que fazemos trás também arrependimentos, né?! Amo minha faculdade e sofro só de imaginar me formando, mas também sofro de ainda não ter independência financeira. hehehe contradições… Um grande abraço, querida!

  4. eu tb nunca fui um prodígio na escola e na real eu sempre ouvi que n seria ninguem na vida. com 17 anos decidi que queria fazer faculdade, e que queria federal. ouvi dos meus pais que eu não conseguiria (apesar de hj em dia eles negarem até a morte que já disseram isso) e que universidade federal era coisa pra filho de rico. durante a faculdade fiz o mesmo movimento que o seu: fiquei naquela ânsia de provar que eu ia dar certo na vida, tanto que acabei deixando de curtir o caminho focando no resultado. passei de primeira no penúltimo lugar. meu maior medo era que estivessem certo ao meu respeito. consegui um estágio antes da faculdade começar com 18 anos num cursinho de inglês e ganhava um salário minimo (uns 700 reais na época) tenho 24 anos agora e percebo o como isso foi ruim no sentido do tempo não voltar mais. enfim, vivendo e aprendendo. parabéns pelo texto, ele tem muita honestidade.

  5. Nossa, eu te acho tão incrível. Mais incrível ainda por saber admitir arrependimentos. Fiz várias escolhas erradas, inclusive a de não ter ido estudar fora quando podia. Minha faculdade fiz por amor : turismo! Mas viajei no dinheiro, fui trabalhar em um lugar que não gostava mas que pagava bem e nem um pouco ligado ao turismo. Infelizmente, o turismo não deu certo. Me faltou coragem pra fazer o que queria de verdade e não a cobrança de aos 22 anos ter carro, casa, salário alto… Acabei que não tenho nada disso. Apenas um diploma sem estudo no exterior e nem experiência na área. Não me arrependo da faculdade, mas das escolhas que fiz no caminho.

    1. que reflexão legal, Thais. tenho muitos arrependimentos tbm e isso me pesava demais demais. depois de muita terapia eu vi que poderia ter levado tudo mais leve, teria sofrido menos (ou não) mas teria aproveitado mais. talvez o reconhecer seja o comecinho de uma cura, ou ao menos algo que conforta. o que vc acha?
      vc – sendo musa minha e hoje tendo uma vida de dona do seu rolê, mãe de Mig, recém casadinha, recém gravidinha 🖤 e todas as outras áreas da sua vida que te demandam o que demandam hoje – o que diria pra quem ainda não está vivendo isso? vou fazer 30 anos esse ano, não me achei profissionalmente ainda e quero viver tantas experiências que às vezes parece tão distante que só deixo pra lá! acho que deixar pra lá incomoda menos que me mover. ai, será? comecei uma reflexão aqui haha

      super beijo, te acompanho todo diiiia pq ter dose diária de vc – pistola, reflexiva, fofa, foda, sensuelen, o que for – é bom demais.

  6. Joana Callia

    Amei esse texto, me identifiquei bastante, pois temos esse arrependimento em comum, nem penso tanto pq realmente sofro por não ter feito intercâmbio na época da adolescência ou facul .Você acha q repetiu esse padrão de trabalhar pra caramba e olhar de novo pra trás e pensar :“putz , olha eu aqui de novo, trabalhando igual loka , tentando provar algo” ou chegou num ponto que conseguiu equilibrar tudo?!bjossssss!

  7. Cada dia melhor ! cada dia com mais potência, com mais verdade e clareza em tudo que fala, veste e vive ~do que noix ve nas redes hahaha ! Sou 30+ e amei que você ta por aqui ,

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thais farage

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