Fast Fashion, Trabalho Escravo e Consumo Consciente

Tô eu aqui, dando a minha cara a tapa [porque eu não canso de apanhar, hahaha] e falando sobre fast fashion, trabalho escravo e consumo consciente – tema que eu não domino totalmente, não transito com facilidade e não sei tudo. Já adianto que não sou bastião da moda eco friendly e faço ainda muita coisa errada, pouco sustentável. Também não tô aqui falando ‘de cima pra baixo’, a idéia é levantar o tema, falar do pouco que eu sei e propor pensarmos juntos em soluções para o problema que ta aí e é de todo mundo.

Começando por partes!

Primeiro: todo fast fashion é do mal e usa trabalho escravo? Não sei responder, de verdade. Acredito que a maioria, sim, porque realmente é difícil fazer uma blusa custar 15 reais, né? Mas eu gosto de fazer a pergunta oposta: todo trabalho escravo e indústria evil é fast fashion? E aí eu sei responder! Não, não é. E é aí que mora o perigo! Quantas clientes eu já tive que me falavam assim “eu sou contra o trabalho escravo, não compro na Zara. Mas amo Ellus, Luigi Bertolli, M.Officer e Les Lis Blanc.”. Desculpa, mas esse discurso não faz sentido. O perigo é quando a gente a mídia arruma pra gente um jeito facinho de ser correta, porque, pode ter certeza, é nessa hora que estamos sendo enganadas.

Em 2011 uma oficina de bolivianos foi flagrada em produção para a Zara. O fabricante tercerizado, produzia as peças piloto e aprovava com a Zara na Espanha, que, jurou de pés juntos, que não sabia das condições super degradantes dos bolivianos que estavam aqui no Brasil. Pois bem, na época a declaração oficial da marca foi: “Estamos trabalhando junto com o MTE para a erradicação total destas práticas que violam não só nosso rígido Código de Conduta, como também a legislação trabalhista brasileira e internacional”. Ou seja, a idéia era fiscalizar com mais rigor os intermediários e fábricas tercerizadas que produziam pra Zara, certo? Esse ano a marca foi autuada de novo porque descumpriu o acordo do Termo de Ajustamento de Conduta, foi multada e está, de novo, tentando se regularizar. Aqui nesse link da Folha tem os dois lados da conversa e é importante ler porque se não a gente fica repetindo as coisas que nem papagaio e falando uma bobagem atrás da outra.

Roupa cara não tem trabalho escravo? Não dá pra afirmar isso também! Le Lis Blanc e Bo.bô (que são marcas caras!!!) foram pegas na fiscalização em junho de 2013 e acusadas de trabalho escravo e tráfico de pessoas.

Marca ‘de shopping’ tá livre de trabalho escravo? Não. Gregory, Cori, Mr. Officer, Pernambucanas, Luigi Bertolli, Emme, Atmosfera, Unique Chic, As Marias, Marisa, Renner…. todo mundo já foi pego na fiscalização. E vale lembrar que até colete do IBGE já foi feito com trabalho escravo.

De novo, essa discussão não é simples!

Para nos ajudar, eu lancei mão do app Moda Livre. O aplicativo foi criado pela ONG Repórter Brasil e avalia como as marcas combatem o trabalho escravo. Dei um print aqui pra gente olhar uma a uma e ficar impressionadas!

fast fashion trabalho escravo e moda sustentável 1

Ou seja…. comprar na Zara é tão ruim quanto comprar na: Hering, Puc, Renner, VR, Pernambucanas, Memove, Americanas, Richards, Bobstore, Cori, Crawford, Dzarm, Ellus, Emme, Herchcovitch, Luigi Bertolli, Mandi, Marisa, Salinas e Siberian.

E compra na Zara é melhor que comprar na: 775, Bo.Bô, Centauro, Colcci, Collins, Fenomenal, Forum, Gangster, Gregory, Havan, John John, Leader, Le Lis Blanc, Lilica & Tigor, Marisol, M.Officer, Talita Kume, Triton, Tufi Duek e Unique Chic.

E a maior surpresa de todas! Comprar na C&A? Sinal verde!

[É claro que essa é uma generalização e que pra cada marca vai haver uma especificidade, mas estou comparando marcas entre si, no critério Moda Livre – que eu confio total!].

Sendo assim, não, não é fácil fugir da moda que explora a mão de obra. E mais do que isso: tem muitaaaaa marca de shopping que só não foi pega ainda, mas que tá, sim, usando trabalho escravo. A conclusão é terrível!!! Todos nós estamos, sim, consumindo moda feita com trabalho escravo. [isso porque nem vamos entrar no mérito da tecnologia, hein? mercado mais lucrativo da China!].

E agora José? Dane-se? Claro que não!

Bom, eu vou deixar aqui uma listinha de atitudes que eu acho que ajudam a minimizar esse mercado de moda bizarro!

• Compre de quem produz: tente sempre comprar de lojas menores, pessoas que produzem os próprios produtos e que você conhece a procedência. Trabalho manual, por exemplo, costuma ser uma boa saída.

• Compre só o que precisa e compre com qualidade: consumismo é a grande arma pra tanto lucro na indústria da moda. Você compra tão barato que joga no lixo sem pensar duas vezes, e aí, vai lá e compra de novo. Além disso, compre pra durar, mesmo quando comprar na Zara, Renner e afins. Olhe o tecido, acabamento, texturas, botões, costuras, tudinho! Nada de comprar roupa que vai ser lavada 3 vezes e virar um pano de chão!

• Compre usado: Brechó, Enjoei e Bazar, ótimas opções pras roupas não irem pro lixo! Mas, só quem compra com qualidade consegue revender o que comprou, o que leva a gente ir para o item anterior.

• Cuide das suas peças: cada item que você compra deve ser usado 30 vezes para valer a compra. Ou seja, cuide da sua roupa direitinho para que ela renda tantas ‘usadas’ assim. E mais! Que ela possa ainda ser vendida/doada/reutilizada.

• Opte por tecidos naturais: porque poluem menos e são muitos mais gentis com a sua pele. Mas acabei de ver um filme que chama ‘The Real Cost’ e a nossa praga do momento é o algodão… então, se possível, escolha algodão orgânico.

Enfim, esse é um assunto super difícil e eu não tenho as respostas. Eu compro cada dia menos, mas ainda compro na Zara/Topshop/Uniqlo. Eu compro muito de quem produz, vou atrás, adoro conhecer novos designers/marcas/projetos, mas ainda compro nas Lojas Americanas, ainda compro roupa pro Miguel na Carters. De novo, não tô aqui pra ser exemplo, longe de mim, tô aqui propondo informação, that’s all. 🙂

Para complementar o tema, recomendo conhecer o projeto Ecoera, ver o filme The True Cost – documentário americano cheeeio de problemas mas que tem várias informações legais e que está no Netflix e pesquisar o site da ONG Repórter Brasil. 🙂

E aguardo mais dicas nos comentários! <3

3 comentários em “Fast Fashion, Trabalho Escravo e Consumo Consciente”

  1. Thais, adorei o post. Acho de extrema importância um assunto desse ser tratado, especialmente num blog de moda como seu. E adorei o nome novo, também! beijos

  2. Seu blog está agora entre os conteúdos que estou <3 <3 <3 consumir. Yay!

    Sobre o assunto, muito importante a gente se informar e saber sobre o que está falando.
    Adorei a parte do "não repetir as coisas que nem papagaio" porque é o que mais vejo por aí.

    E é bom incentivar com a compra a galera que produz e investiga procedência do que usa, até para que, futuramente, a gente consiga um preço mais acessível nesses produtos "do bem".

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