O figurino de “Bom Dia, Verônica” por Marina Franco

Marina Franco para Farage.Inc
https://www.instagram.com/marininhafranco/

No lançamento de “Bom dia, Verônica”, a Thais bateu um papo com uma das nossas professoras do curso de figurino, Marina Franco, sobre seu trabalho na série. Bora relembrar o processo de construção de figurino da Marina para você entender melhor como é ser figurinista na prática?

A primeira coisa que chama a atenção é o contraponto das personagens que se reflete no figurino, a Anita e a Verônica.
Anita não está preocupada com as questões feministas, já a Verônica está muito engajada nessas questões.

Verônica (Tainá Müller), a anti-heroína da série, tem um figurino prático. Muita calça jeans, t-shirt, regata e leva sempre um casaco – com a dupla função de encarar a variação climática de São Paulo e também esconder a arma quando necessário. Apesar de ela ser escrivã, ela muitas vezes se envolve com a investigação. Por isso, usa muito neutro, muito branco, muito jeans. A gente olhou para Jessica Jones, Erin Lindsay de Chicago PD… mas também olhamos para uma nova geração de mulheres da vida real que entrou na corporação recentemente e faz parte de uma onda de empoderamento da mulher nesse espaço. Teve muita pesquisa de internet e campo.

Já a Anita (Elisa Volpatto), a gente fez o mesmo raciocínio, pesquisamos a história, quem já fez personagens parecidos… Eu estudo antropologia, arte, filmes, um apanhado de campos para trazer personagens cada vez mais complexos e profundos.

A Anita, vilã da história, é delegada e chefe da Verônica. Com maior poder aquisitivo, mais prestígio na corporação, a ideia foi usar um guarda-roupa mais executivo para transmitir isso: blazer, materiais mais nobres, blusa de tricô… Mas ao mesmo tempo menos elegante que muitas delegadas da vida real, que usam muita maquiagem, bijuteria, cabelos bem cuidados…

Já no núcleo da Camila Morgado (Janete) e do Du Moscovis (Brandão), rola muita cor cítrica, são um casal anacrônico: Janete sofre muita violência; a casa e o figurino parecem de outra época. A gente pensou em fazer um casal muito atual, mas com elementos antigos:


Janete é uma mulher muito fragilizada, codependente de um homem assediador e violento. Sofre muita tortura psicológica. O figurino dela tem essa mistura de peças atuais e peças vintage porque ela ficou “presa” no tempo, perdeu o contato com o mundo. Tem até o momento em que a irmã chega e elas tentam sair juntas e ela usa uma bota branca (quase uma bota da Xuxa) que gera um choque na cabeça de quem assiste, por parecer, como a personagem, fora do tempo. Ela resgata uma peça como memória de um passado feliz em que ela era livre e extrovertida.

Brandão é o marido que humilha e também agrada, construindo uma relação muito doentia. O figurino dele foi inspirado nesse homem “básico” do Brasil atual, de meia idade. Esse look de um tipo de macho brasileiro – que não vai ser necessariamente um serial killer – pra mostrar que esses homens violentos podem estar em qualquer lugar. Brandão tem essa coisa de camiseta esportiva, calça reta e tênis esportivo, camiseta que seca rápido e não amarrota, coisas práticas.

Os cítricos foram baseados em uma referência de fotografia com luz estourada. Foi uma vontade minha. Temos um momento épico da série em que a Janete usa um vestido amarelo-limão na floresta à noite. Eu fiquei muito feliz com essa imagem. É uma cor pouco usada em fotografia, as pessoas têm medo. Mas o time topou esse desafio e essa ousadia.

A Janete também usa muito cores como rosa e vinho: cores quentes que emocionalmente são ligadas a afeto, maternidade, paixão, amor e romantismo.

O Brandão usa muito verde. O verde dependendo da tonalidade vira uma cor muito venenosa. Os verdes e amarelos são mais frios, refletindo a personalidade do personagem. Eu chamava essas cor de “verde venenoso” e pra mim foi um dos pontos altos do figurino.

No trabalho de figurino, em termos gerais, primeiro você desenha (separa referências, pensa no personagem de forma geral) e conceitualiza. Eu crio pranchas agrupando referências e apresento pro diretor.

Depois, com a equipe, começo a levantar o que chamamos de “guarda-roupa”. Essa parte do trabalho é dividida em três pilares: compramos, alugamos e confeccionamos peças. Eu gosto muito de roupa usada porque já tem um caimento, vivência, traz realismo para as tramas.

“Bom dia, Verônica” foi um trabalho muito feliz, de muita intimidade e convergência de ideias com equipe e direção. Foi um dos trabalhos que mais gostei de fazer na vida.

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